segunda-feira, 27 de junho de 2011

Só porque eu curti

Enquanto estudava literatura hoje, li essa crônica do Fernando Sabino. Achei fantástica. Resolvi "postar" no blog.
Vai servindo de inspiração...




A ÚLTIMA CRÔNICA

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

Fernando Sabino

domingo, 26 de junho de 2011

Conversas e afins...

Resumo de uma conversa com meu grande amigo Marco.
O contexto não importa. O que importa é a analogia feita sobre as minhas inconstâncias.
Ri muito!

hykmaco@hotmail.com disse (22:59):
- se tuas vontades fossem vinho, teu copo teria que ser um estádio? se a inconstância de teus objetivos fosse mensurável, teríamos uma escala ano luz?
- captou
- ?

sexta-feira, 22 de abril de 2011

E a imprensa brasileira...

O ano de 1822 marca, grosso modo, a mudança de dependência da metrópole para a um país um pouco mais avançado: a Inglaterra.
Sim, dependeríamos economicamente até meados do século XX.
Tudo bem, isso denota uma estreita relação entre nosso país e aquela pequena-grande ilha europeia. Entretanto, as relações permaneciam somente no nível político-econômico. Culturamente as coisas não se assemelhavam tanto, tanto por causa de nossa colonização, como por não sofrermos diretamente o imperialismo britânico (diferentemente, por exemplo, da Índia).

Séculos mais tarde, um novo príncipe assumirá o trono - espera-se - em alguns anos. De todo modo, o rapazinho teve uma vida biológica como todas as outras: nasceu, cresceu, descobriu para que serve o pipi além de urinar e, com isso, decidiu que precisava casar. Tudo bem, fatos cotidianos, inclusive para uma família real.

Fato, sobretudo, importante para os ingleses que verão uma nova princesa surgir. Dir-se-ia ainda que é um fato importante para toda a Commonwealth, pelo mesmo motivo: a nova princesinha. Entretanto, fato nada relevante - inclusive politicamente falando - para os países fora da dita Commonwealth. É coisa deles! Mais ou menos como dizer que o filho do Sarney vai casar.

O que me indago é: por que raios a imprensa brasileira insiste em noticiar o cotidiano do casal britânico se isso é realmente irrelevante para mais de meio mundo? Não há, por acaso, fatos mais importantes para serem noticiados? É quase jocoso o tom com que tratam o cidadão brasileiro nessas horas.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

PEB

A mais nova fonte (excusa) de Política Externa Brasileira -> http://marcofabretti.blogspot.com/.

Quem quiser conferir...

domingo, 23 de janeiro de 2011

E o Congresso...

Fim de 2010, votação relâmpago no Congresso para o aumento do salário dos parlamentares em 60 e tantos porcento.
Enquanto isso, dizem que o salário mínimo vai atingir incríveis R$540, 00.
E ainda há quem afirme que o Parlamento foi criado para representar o Povo...
O Brasil ainda não é um país que se pode levar totalmente a sério.


video

2011

Quinto ano de blog e eu já começo com "texto" atrasado.
Quem tiver paciência vai acompanhando que, quem sabe, este ano as coisas fluam melhor que ano passado.